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29/07/2010 | 14:30
Aproximadamente 5.000 participantes do 2º Festival Nacional da Juventude Rural, promovido pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura, realizaram ontem uma caminhada na Esplanada dos Ministérios para reivindicar políticas públicas para o campo, sobretudo na área de educação. Representantes de oito milhões de jovens que vivem na área rural, eles argumentam que a falta de políticas dificulta a permanência no campo porque não lhes garante acesso à terra, sustentabilidade ambiental e condições de trabalho.
A educação foi um dos temas mais citados durante a manifestação. De acordo com a Contag, 40% dos trabalhadores rurais com idade entre 16 e 32 anos são analfabetos.
Durante a passeata, os manifestantes pararam em frente ao prédio do Ministério do Desenvolvimento Agrário e reivindicaram o fortalecimento da agricultura familiar e a reforma agrária. Os jovens pararam mais duas vezes, diante dos ministérios do Trabalho e da Educação.
Juliana Martins, 24 anos, deslocou-se de Bugre (MG), com mais 35 pessoas, para participar dos debates em Brasília. Coordenadora regional de um grupo de jovens do Rio Doce, ela afirma que viajou à capital federal com o objetivo de conseguir uma escola de qualidade para seu município.
“Muitos jovens saem da área rural para estudar em outra cidade que ofereça escola de qualidade e bons cursos superiores. A ideia é que tenhamos boas oportunidades também”.
Arthur de Oliveira, 19 anos, de Ubatuba (SP), está preocupado com a falta de faculdades no município. Para cursar o ensino superior, quem mora em Ubatuba tem que viajar uma hora e meia até Taubaté pagando R$ 60 pela passagem de ônibus para ir e voltar. Outra opção é cursar faculdade em Caraguá, o que exige viagem de uma hora.
“Em Ubatuba, há criação de peixes e mariscos e a casa da farinha, da mandioca e da banana. E, mesmo que alguém faça um curso fora e volte para a cidade, o trabalho é difícil. Vivemos muito de turismo lá, o que só acontece em determinados períodos do ano”.
O 2º Festival Nacional da Juventude Rural será encerrado com a aprovação de uma carta que reivindica qualidade de vida e trabalho no campo por meio da inserção social, cultural, política e econômica.
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