PARTIDO

Dilma e Gleisi lançam em Porto Alegre

projeto RS e o Brasil que povo quer

Claudio Fachel

Claudio Fachel

O Partido dos Trabalhadores do Rio Grande do Sul lançou, na noite de quinta-feira(9), no Hotel Embaixador, em Porto Alegre, o projeto “RS e o Brasil que o povo quer” que contou com as presenças de Dilma Rousseff e da presidenta nacional do partido, a senadora Gleisi Hoffmann. Parlamentares federais e estaduais, prefeitos e vereadores/as petistas, lideranças sindicais, de movimentos sociais e militantes lotaram o auditório onde se realizou o evento.

O presidente estadual do PT, deputado Pepe Vargas foi o primeiro a se manifestar e disse que o objetivo do ato era lançar o projeto proposto pela direção nacional do partido, mas voltado para a realidade gaúcha. Pepe anunciou que, em reunião da Executiva do Diretório do PT-RS, no mesmo hotel, foram aprovadas algumas resoluções, entre elas, a que estabelece um calendário político para as eleições 2018 que definirá, também, a pré-candidatura do partido a governador do estado, a ser construída com as forças políticas dos partidos de esquerda e com os movimentos sociais.

Pepe lembrou que o golpe, que retirou do poder o governo legítimo da presidenta Dilma, fortaleceu no RS a política neoliberal de Sartori, que desmonta o direito do povo gaúcho de ter acesso a um conjunto de conquistas garantidas, anteriormente, nos governos do PT. Para montar uma chapa vitoriosa no estado, o presidente citou que o PT gaúcho tem excelentes experiências de governos como parâmetros para se guiar, citando as administrações de Lula e Dilma e, no estado, os governos de Olívio e Tarso.

A ex-presidenta Dilma Rousseff iniciou a manifestação afirmando que o Brasil, após o período da redemocratização, tem uma ótima oportunidade de debate e de enfrentamento às ameaças contra todos os direitos, que iniciaram no processo de “impedimento fraudulento golpista”. Ela elogiou a organização da atividade em Porto Alegre, dizendo que o encontro era um processo de luta, discussão, debate e de construção. Dilma fez uma análise histórica das políticas implantadas no Brasil, antes e depois dos governos do PT, iniciadas com Lula, em 2003.

Sobre o golpe de 2016, Dilma afirmou que ele foi implantado por convicção, articulado a partir de 2005, com o processo 470, o “mensalão”. Naquela época, houve uma aposta: “Ou eles apostavam no nosso sangramento ou nos tiravam do poder.” A resposta do PT, de acordo com ela, foi ir para as ruas e disputar as eleições de 2006. “Foi um processo de aprendizagem deles (oposição ao PT), que ao acharem que iríamos sangrar, tiveram o efeito inverso. Ganhamos a eleição do ponto de vista eleitoral e político”, comentou.

“Aproveitem a crise econômica e criem uma crise política”. Esse foi o receituário internacional adotado pelos golpistas no Brasil, esclareceu Dilma. Ou seja, “para eles (oposição), tanto pior melhor”. Recordou que a hipótese do impeachment foi adotada em 2015, menos de um ano após a sua reeleição, em 2014.

Os avanços promovidos pelos governos do PT foram lembrados por Dilma. Ela citou os vários programas e políticas públicas implantadas, como o Minha Casa Minha Vida e o Bolsa Família, que tiraram milhões de brasileiros/as da pobreza. Elucidou os investimentos em Educação e afirmou que “nação desenvolvida não é aquela que produz minério, petróleo ou manufaturados. É a que produz homens e mulheres com Educação e Cultura”.

Sobre impostos, Dilma questionou: “Quem paga imposto no Brasil e quanto?” Ela defendeu que esse é um compromisso que o PT tem que assumir, “porque no Brasil não se tributam dividendos nem grandes riquezas e heranças”. Acredita que essa discussão é difícil de ser pautada porque “há uma vacina contra ela”.

Dilma voltou a falar do golpe que o Brasil sofreu, dizendo que ele trouxe a maior recessão econômica e a maior desmoralização política e das instituições no país. Adianta que, agora, “temos a agenda de mudanças e uma delas começa pelo referendo revogatório. Teremos que questionar as medidas tomadas no campo institucional, impedindo que o país avançasse na estabilidade democrática”, apontou. Dilma alertou que todo o processo golpista , iniciado com o impeachment e com os retrocessos implantados no país, ainda não terminou: “Eles vão querer ganhar a eleição de 2018 para completar o serviço – vender estatais e o pré-sal”.

Antes de confirmar que haverá caravana de Lula no Rio Grande do Sul, assim como ocorreu no Nordeste e na região Sudeste, Dilma acredita que na eleição de 2018 vai ser julgado o tipo de futuro que queremos para o país. Explicou que a diferença entre “nós e os tucanos é que fizemos políticas sociais para milhões de pessoas”. E mais: “Não fizemos projeto piloto, mas programas que tinham a dimensão social das necessidades do Brasil. Os tucanos fizeram projetos pilotos, com atendimento de 5, 10, 100 mil”, criticou. “E 100 mil, no Brasil, não significa nada! É preciso fazer para milhões”, finalizou.

Lula é candidato

A presidenta nacional do PT, Gleisi Hoffmann disse que a população está estarrecida com os retrocessos que ocorrem no Brasil nos últimos meses. Comentou que, antes do primeiro governo de Lula, a classe dominante brasileira nunca se preocupou em ter um projeto político de nação, “sempre foi extrativista, pensando em si e no imediato”.

Gleisi comentou sobre a situação política internacional e os avanços do capitalismo e do neoliberalismo, sobre os desmontes provocados com a Reforma Trabalhista e outras, como a Reforma da Previdência proposta por Michel Temer. Disse que “a situação que vivemos faz parte do desmonte provocado pelo capitalismo internacional e isso vai exigir de nós muita resistência e luta. Essa é uma luta constante”, reforçou a presidenta do PT. “Temos (PT) uma responsabilidade muito grande com o povo brasileiro. Por isso, teremos que atuar junto com os momentos sociais e com os partidos de centro-esquerda para fazer o enfrentamento e resistir”, acrescentou Gleisi.

Sobre a candidatura e volta de Lula à presidência, Gleisi disse que ele é o depositário da esperança do povo brasileiro. “Não temos direito a errar”, apontou, e “não vamos fazer esse enfrentamento sozinhos” disse ao citar que a construção da unidade política passa pelo envolvimento do PT com os movimentos social, sindical e com os partidos de centro esquerda.

A presidenta citou a importância de uma frente de resistência contra o golpe e de defesa da democracia, mas, principalmente, de garantia de eleições livres e diretas em 2018. Para ela, “quem dá o golpe como deu não nos dá essa garantia”. Ainda sobre a política de alianças, Gleisi disse que o PCdoB tem direito de lançar sua candidatura - a deputada estadual gaúcha, Manuela D’Ávila teve a pré-candidatura lançada nesta quinta-feira -, mas tem esperança que, “ali na frente estaremos juntos”.

Ela respeita as outras candidaturas, mas afirmou que Lula é o candidato à presidência da República, mesmo que o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) o condene. “Não tem outro plano! E Lula vai chegar com campanha nas ruas e na TV. Ele é candidato não só do PT, mas de uma parcela expressiva da população brasileira.” Acrescentou que o PT quer aliança com partidos de esquerda para um projeto de Brasil. Gleisi falou que o que vai orientar o PT e balizar a sua caminhada e a política de alianças é observar quem se posicionou contra as reformas, contra o golpismo e outros retrocessos no País.

Os beneficiários

Três manifestações de pessoas beneficiadas com políticas públicas, durante os governos Lula e Dilma, foram expostas ao público presente. Thaís Ferreira, 22 anos, moradora da Ocupação Saraí, na Capital gaúcha, relatou sobre os benefícios do Programa Bolsa Família. Mãe solteira e com duas filhas, ela disse que o programa federal criado no governo Lula é o que a “vem salvando”. Desempregada, comentou que o Bolsa Família a auxilia muito e teme sobre o futuro do programa com o atual governo.

Karina Rocha, beneficiária do Minha Casa, Minha Vida, em Rio Grande, disse que começou a ter dignidade quando conquistou a moradia por meio do programa. “A partir do momento que você tem uma casa começa a melhorar de vida.” Mãe de dois filhos, disse que jamais teria condições de comprar um apartamento e isso só ocorreu pelo Minha Casa Minha Vida. Sempre acreditou nas políticas públicas e nunca desistiu de acreditar no Programa, mas alertou que ele tem que continuar e ser melhorado.

Outro beneficiário a se manifestar foi Thales Machado. Ele ingressou na UFRGS, em 2013, onde cursa Relações Internacionais por meio do programa de cotas. Relatou que é o primeiro integrante da família a cursar uma universidade. Disse que “as oportunidades são muito poucas. Esse ano se formará e vai “poder dar o retorno à família, que não teve a oportunidade que tive.” De acordo com o universitário, “a juventude negra quer estudar e ser protagonista” e as cotas mudaram a sua vida. “A política de cotas é muito responsável pelo meu presente e pelo meu futuro e espero que ela continue e que jovens negros sejam inseridos nos espaços de poder”, complementou.

Entre várias lideranças presentes ao evento estavam o presidente da CUT-RS, Claudir Néspolo, a presidente do CPERS-Sindicato, Helenir Schürer, os ex-ministros Miguel Rossetto e Gilberto Carvalho, Marcelo Leal, Via Campesina, Renato Simões (Executiva PT Nacional) e Joaquim Soriano (Fundação Perseu Abramo). Os parlamentares do PT presentes no evento foram: Paulo Pimenta (federal), Adão Villaverde, Altemir Tortelli, Nelsinho Metalúrgico, Stela Farias e Tarcísio Zimmermann (estaduais).

Antes da atividade com Dilma e Gleisi, houve uma reunião do diretório do PT-RS e a posse dos novos dirigentes das secretarias e setoriais do partido no Rio Grande do Sul.

Texto: Roger da Rosa – Jornalista (MTE 6956/RS)

 

 

Publicado em 10/11/2017 às 16:54

Texto: Roger da Rosa – Jornalista (MTE 6956/RS)

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