ARTIGO

Reorganizar a esquerda: a aula pública

de Guilherme Boulos em Porto Alegre

Rodrigo Dilelio, sociólogo - Arquivo

Rodrigo Dilelio, sociólogo

Arquivo

No último sábado (13), ocorreu uma aula pública com Guilherme Boulos, o principal dirigente do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). A atividade foi organizada pelo Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (SIMPA), pela Frente Brasil Popular e Frente Povo Sem Medo. A ambição do evento previa acumular elementos de síntese para uma estratégia de “reorganização da esquerda”. Mesmo com a chuva, um público razoável dirigiu-se à tenda montada pelos/as organizadores/as. Boulos, nas suas duas intervenções falou cerca de 45 minutos.

De sua fala, gostaria de destacar aos leitores do PT SUL 4 diferentes aspectos a título de análise de conjuntura e especificação de “tarefas” para a militância da esquerda brasileira trazidas ao debate.

1 - A Nova República, o pacto político produzido pelo Congresso Nacional em torno de eleições indiretas à Presidência da República em 1985 e a convocação da Assembléia Nacional Constituinte em 1986, foi simplesmente dissolvido pelo golpe. Segundo o dirigente do MTST, não há condições de repactuar a sociedade brasileira perante as mesmas bases conciliadoras dos anos 1980. A violência protagonizada pelas forças vivas do golpe e que hoje lideram o Congresso e o Executivo, se expressam nas reformas trabalhista e previdenciária, ambas inaceitáveis.

2 - A guerra foi declarada, pelo vértice, não pela base da pirâmide social brasileira. Entretanto, o golpe pôs fim a um ciclo político sustentado por uma política de conciliação, e mesmo sem reformas estruturais, a radicalidade da burguesia não o tolerou. Essa volúpia não será contida sem uma amplíssima resistência popular. Nesse aspecto, devemos nos dedicar ao convencimento político daqueles beneficiários das políticas sociais, que tiveram expectativas de vida ampliadas após esses benefícios. Chamá-los à luta, agora, significa explicar as insuficiência da política da conciliação e que a superação da atual crise só virá com uma derrota da burguesia e da elite política implicada no golpe.

3 - O momento ainda não requer organizar a frente para discutir a eleição, e sim o programa desta frente; a crise na qual estamos também é produto do desmantelamento das políticas sociais. Uma nova onda favorável ao povo pobre só vira com reformas estruturais, que impliquem em mudanças na estrutura da propriedade e de acumulação de capitais.

4 - A frente de resistência deve ser o mais ampla possível. Nas palavras de Boulos: “não importa o que este ou aquele fizeram no verão passado, quem resistir às reformas é um aliado objetivo”.

O evento contou ainda com a participação de representantes do Movimento Sem Terra (MST), Coordenação Nacional de Lutas (CONLUTAS), Central dos/as Trabalhadores/as do Brasil (CTB), Intersindical e Central Única dos Trabalhadores (CUT).

O sentido das falas de cada uma das representações foi marcado pela unidade, com destaque para um incrível desagravo a Lula, verbalizado pelo representante da CONLUTAS, uma central sindical notabilizada pelas diferenças com Lula no campo da esquerda: ”A postura do Lula foi digna, deu orgulho. Temos de estar atentos aos ataques realizados pelo judiciário a nós, como este que se destinou a impor o fim do funcionamento do Instituto Lula. Essa foi uma demonstração clara de que o nosso espaço para atuar na democracia brasileira está sendo diminuído”, afirmou o representante da CONLUTAS.

A construção da unidade em favor da resistência às reformas, entre todos e todas que estiveram com Boulos, é um processo já em andamento. A unidade para a construção de um ciclo de vitórias que expresse uma nova maioria política no país segue como desafio que ainda está por ser colocado à prova. Parece haver indícios de que é possível. A ver e a construir.

Rodrigo Dilelio, sociólogo, integrante da Comissão Executiva do Partido dos Trabalhadores de Porto Alegre

 

 

Publicado em 16/05/2017 às 15:58

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