Serviço Secreto

CIA mostra seu trabalho sujo ao redor do mundo

A Agência Central de Inteligência dos EUA divulgou documentos históricos sobre operações secretas desenvolvidas entre 1950 e 1970: complôs para assassinar Fidel Castro, teste de drogas e espionagem de ativistas.

As mostras de trabalho sujo da Agência Central de Inteligência (CIA), o serviço secreto do regime americano, tomaram a atenção das mídias ao redor do mundo nesta quarta-feira (27) com a divulgação de 700 documentos que contam a história de 20 anos do organismo.

A compilação de documentos da CIA foi divulgada na noite da última terça-feira (26). Chamada de "Caesar-Polo-Esau", são 11 mil páginas de "análises" políticas realizadas entre 1953 a 1973.

Centenas de informes internos do serviço secreto comprovam que foram feitas investigações utilizando drogas alucinógenas em cidadãos americanos. Elas haviam sido denunciadas por décadas por organizações tidas como "conspiratórias".

Algo parecido, talvez incomparável, aconteceu recentemente com as escutas telefônicas ilegais autorizadas pelo presidente George W. Bush, alegando a suposta "luta contra o terrorismo" ao redor do planeta.

Nas 693 páginas liberadas, existem provas de uso de drogas como LSD contra cidadãos americanos, sem a autorização deles. Ainda, a CIA espionou jornalistas e ativistas de movimentos pela paz e direitos civis, como participantes da oposição à Guerra do Vietnã, como a atriz Jane Fonda.

Outros alvos que acionavam os arapongas de Langley foram também ex-funcionários do serviço secreto, cujas casas foram varridas ilegalmente, assim como outros americanos.

Os arquivos secretos também revelaram o mecanismo que colocou em funcionamento os planos para assassinar o presidente cubano Fidel Castro pela tenebrosa máfia americana.

Lista "básica"

A Comissão Church, assim chamada em alusão ao senador Frank Church, investigou em 1975 muitas práticas ilegais do serviço secreto, inclusive o assassinato do general chileno René Schneider.

A conseqüência direta dessa investigação foi a aprovação, por parte do presidente Gerald Ford, de uma ordem executiva que proibia expressamente a participação de seu país no assassinato de dirigentes estrangeiros.

Um dos materiais divulgados mostra o trabalho contra grupos pacifistas, desde 1969, para controlar as atividades internacionais de militantes e revolucionários negros. Como resultado, a CIA acumulou uma lista com 10 mil nomes de cidadãos americanos.

Jango e Brizola são citados

Entre os 147 relatórios, um faz referência ao Brasil. O ex-presidente João Goulart aparece em nele como "um oportunista que subiu ao poder com o apoio da esquerda". Leonel Brizola, o "principal demagogo antiamericano".

"A luta sino-soviética em Cuba e o movimento comunista na América Latina" reza o relatório da arapongagem americana. Elaborado em novembro de 1963, a CIA assombrava seus superiores: "O Brasil é o maior alvo dos comunistas no Hemisfério Ocidental."

A agência afirma que o Partido Comunista do Brasil vinha lutando por muitos anos, "com certo sucesso", para expandir sua influência na política brasileira. Segundo o relatório da CIA, o partido contava com o apoio das principais forças esquerdistas e nacionalistas do Brasil.

Erro crasso

Para a agência americana, o presidente Goulart seria um oportunista que tentava aumentar seu poder fazendo concessões, alternadamente, para a direita e esquerda. Leonel Brizola, que de acordo com a CIA seria genro de Goulart revelando aí um profundo desconhecimento da situação, já que na verdade Jango era cunhado de Brizola , é citado como um "demagogo", cuja propaganda seria financiada por industriais.

A CIA fala também sobre Francisco Julião, líder das Ligas Camponesas, que teria recebido "apoio financeiro" de Fidel Castro para "preparar um movimento de guerrilha".

Segundo a CIA, Fidel Castro conclamou os brasileiros a "se aproveitarem da experiência de Cuba" e iniciar uma guerrilha contra "os militares reacionários" que teriam forçado o presidente Jânio Quadros a renunciar.

Espionaram Cristo

A Igreja Católica e as comunidades eclesiais de base também são alvo de advertências da CIA. No relatório "A Igreja engajada e mudança na América Latina", de setembro de 1969, a agência afirma que, "depois de atuar por séculos como uma força do conservadorismo, a Igreja Católica se tornou criadouro de grupos sociopolíticos que apóiam a mudança revolucionária no continente".

 

 

Publicado em 27/06/2007 às 15:25

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